Terror Noturno

Estatisticamente falando, 3% das crianças apresentam o quadro em algum período de sua vida, tendo importante componente familiar.

Ocorre com maior freqüência entre 5 e 7 anos de idade.

A ocorrência diminui com a idade, sendo que menos de 1% dos adultos apresentam este distúrbio do sono.

Observa-se durante o sono que a criança se senta na cama com expressão de medo e os batimentos cardíacos se apresentam elevados, respirando rapidamente e suando muito.

Os episódios levam em média de 30 segundos a 5 minutos.

As crianças voltam a dormir em seguida, sem se recordar do que ocorreu na manhã seguinte.

A febre pode predispor as crises.

Os episódios de terror noturno ocorrem mais no início da noite enquanto os pesadelos ocorrem mais no final da noite, onde há predomínio do sono REM.

Sonambulismo

O sonambulismo consiste em episódios recorrentes de comportamento do tipo levantar-se da cama e perambular pelo quarto, podendo ocorrer o despertar sem que a criança se lembre do episódio sonâmbulo na manhã seguinte. São necessários cuidados para evitar acidentes. A predisposição familiar é muito marcante no sonambulismo, sendo descrito percentual de 80% dos sonâmbulos com história familiar de terror noturno ou sonambulismo.

É freqüente nas crianças e 15 a 30% das crianças saudáveis têm história de pelo menos um episódio de sonambulismo, enquanto 3 a 4% das crianças evoluem com história de episódios repetitivos. A idade de início é em torno de 5 anos, com pico de ocorrência na adolescência. Nos adultos é descrita prevalência de 1%, sendo incomum após a sexta década de vida. As parassonias acima descritas ocorrem durante o sono delta (sono de ondas lentas, mais profundo) e não se deve acordar o indivíduo sob o risco de prolongar o episódio de parassonia.

Ronco e Apneia do Sono

Dentre os vários distúrbios do sono, destaca-se hoje a síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono, caracterizada pela ocorrência repetitiva de obstrução total (apneia) ou parcial (hipopneia) das vias aéreas superiores durante o sono, causando diminuição da oferta de oxigênio ao organismo que para se manter vivo tem que se acordar para voltar a respirar, levando à privação de sono.

Os fatores que predispõem à síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono são: obesidade, sexo masculino, alterações craniofaciais (ex. queixo pequeno, língua grande), aumento do tamanho das tonsilas palatinas e faríngeas (amígdalas e adenóide), aumento da circunferência cervical, obstrução nasal, familiares com história de ronco e apneia do sono, anormalidades endócrinas (ex. doenças da tireóide e acromegalia), uso de álcool, tabagismo, uso de calmantes, cansaço excessivo e idade avançada.
Síndrome é um conjunto de sinais e sintomas, dessa forma quem tem a síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono pode apresentar:

* Durante a noite: ronco alto (o ronco é o barulho produzido pela vibração dos tecidos das vias respiratórias estreitadas, que pode chegar a provocar perda auditiva em si e no cônjuge), paradas respiratórias durante o sono, engasgos, sufocação, agitação (debater-se na cama), vários despertares não lembrados no dia seguinte (levando a sonolência excessiva diurna), aumento da vontade de urinar (em homens com doença na próstata isso aumenta a necessidade de se levantar, tornando o sono mais conturbado ainda), suor em maior quantidade e insônia.

* Durante o dia: sono em excesso que dificulta a realização de atividades corriqueiras, diminuição da memória, redução da concentração, déficit do aprendizado, tendência a nervosismo ou depressão, dor de cabeça, hiperatividade (em crianças), constrangimento social (em especial quando se tem que dormir fora de casa), problemas conjugais, impotência sexual. Além do descrito, quem tem a síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono apresenta maior risco de ter pressão arterial alta, arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (derrame) e morte súbita. É sabido que esses pacientes apresentam maior risco de acidentes domésticos, profissionais e de trânsito, dai a resolução Nº 267 do CONTRAN exigir a avaliação dos distúrbios do sono na renovação, adição e mudança para as categorias de habilitação C, D e E.

O tratamento da síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono depende do número de obstruções por hora de sono que é verificada pelo "exame do sono" (polissonografia) e acima de tudo, de uma avaliação individual com um médico. De uma forma geral, engloba: mudanças de hábitos de vida, realização de cirurgias em casos selecionados, aparelhos intra-orais (indicados em casos mais leves) e como o melhor tratamento para o adulto com quadro mais severo, o uso de CPAP, que consiste na aplicação de pressão positiva nas vias respiratórias por meio de uma máscara firme e confortavelmente acoplada ao nariz durante o sono, impedindo a obstrução da passagem aérea, dessa forma acabando com o ronco e a apnéia do sono.

Trabalhos científicos recentes em pacientes com a síndrome da apnéia e hipopnéia obstrutiva do sono atribuem ao uso do CPAP: melhora da qualidade de vida, redução da sonolência excessiva diurna, melhor controle da hipertensão arterial, redução do peso, melhor controle do diabetes e dos teores elevados de gordura no sangue. A mortalidade pela síndrome da apnéia e hipopnéia obstrutiva do sono é reduzida de forma eficaz com o uso do CPAP.

Pesadelos

Os pesadelos são parassonias do sono REM (a fase do sono que temos sonhos vívidos e coloridos). São sonhos com conteúdo emocional em que costuma ocorrer aumento dos batimentos cardíacos e freqüência respiratória, suor excessivo, terminando geralmente com o despertar e lembrança do contexto sonhado. Pode ocorrer dificuldade para retomar o sono devido ao conteúdo emocional do sonho. São mais prevalentes e freqüentes nas crianças. Há dados indicando que 20 a 30% das crianças entre 5 a 12 anos de idade têm pelo menos um pesadelo a cada 6 meses. Os pesadelos podem ocorrer na mesma noite em que a criança apresente terror noturno ou episódio de sonambulismo.

A polissonografia nesses distúrbios deve ser feita com filmagem da noite de sono, sendo possível correlacionar o comportamento com a fase de sono em que se encontra o paciente.

Narcolepsia

Evidencia-se através de um quadro de sonolência diurna excessiva com uma tendência fora de controle de se cair no sono, muitas vezes em momentos inapropriados. O estresse é um grande fator desencadeante do quadro e a sonolência não costuma ser aliviada com uma boa quantidade de sono à noite. Também pode ocorrer perda abrupta da força muscular (cataplexia), acordar-se e não conseguir se mexer na cama (paralisa do sono) e alucinações auditivas ou visuais antes de se iniciar o sono ou nos primeiros instantes após se acordar (o sonho continua quando se acorda).

A perda da força muscular pode ser específica a um grupo muscular ou generalizada (neste caso, a pessoa chega a cair no chão). Este quadro pode aparecer repentinamente ou pode-se desenvolver gradualmente. Às vezes a sonolência excessiva pode ser o único sintoma.

O diagnóstico é feito por uma avaliação noturna do sono (polissonografia) complementada com o teste das latências múltiplas do sono no decorrer do dia seguinte ao exame. As pessoas que sofrem de narcolepsia precisam ter cuidado com atividades consideradas perigosas, como dirigir, operar máquinas e cozinhar, pela possibilidade de dormirem à revelia de sua vontade e se acidentarem.

Insônia

Ocorre em 30% a 50% na população e sua forma crônica atinge 10% das pessoas. São fatores de risco para a insônia: sexo feminino, envelhecimento, doenças psiquiátricas, doenças clínicas, trabalho em turno, principalmente turnos alternados ou não habituais. Dentre os idosos, os aposentados, inativos e viúvos, estão em maior risco. A insônia se caracteriza pela dificuldade de iniciar o sono, manter-se dormindo ou ainda despertar precocemente, levando a cansaço durante o dia pelas noites mal dormidas. Pode ser um quadro passageiro, relacionado a algum fato recente, mas se persistir além de um mês e interferir na qualidade de vida, é aconselhável buscar tratamento através de avaliação médica.

A insônia é um sintoma que pode ocorrer isoladamente ou estar relacionada com uma causa específica: ansiedade, depressão, estresse, dor crônica, uso de medicamentos, ambiente inadequado para se dormir (muito barulho, quente demais, colchão ruim, claridade excessiva), dentre outras. Algumas pessoas naturalmente dormem menos que outras e isto não significa ter insônia. A polissonografia identifica problemas durante o sono que estejam causando ou mantendo a insônia. Um modelo simples tem sido utilizado desde 1996 para entender a evolução da insônia. Podemos identificar fatores predisponentes, precipitantes e perpetuantes para a insônia. Os fatores predisponentes são basicamente os fatores de risco já citados, acrescidos de predileção por estar acordado até tarde, da presença de um ciclo sono-vigília irregular e da condição de hiperalerta. Os fatores precipitantes podem ser os estresses da vida diária como perdas, doenças, mudanças ambientais, perda do emprego, dívidas, etc. Já os fatores perpetuantes dizem respeito a expectativas que não correspondem à realidade, como o medo adquirido de dormir, conceitos errôneos sobre os hábitos que seriam saudáveis com relação ao sono e a amplificação exagerada das conseqüências da insônia, tais como, medo de passar mal no dia seguinte caso não se durma bem à noite. O tratamento ideal para a insônia é se abordar os fatores predisponentes, precipitantes e perpetuantes, evitando-se a dependência de medicamentos para dormir.

Distúrbios do Sono na Infância e Parassonias

Durante o sono da criança, podem ocorrer manifestações denominadas "parassonias", caracterizadas por movimentos e/ou comportamentos que representam fenômenos físicos decorrentes da ativação do sistema nervoso central levando à queda da qualidade do sono. As principais parassonias na criança são: despertar confusional, terror noturno, sonambulismo e pesadelos.

Esses distúrbios na maioria das vezes apresentam remissão com o passar da idade, porém, em alguns casos, devido à sua permanência ou à repercussão que traz para o paciente ou sua família, faz-se necessária a intervenção médica, principalmente através de orientações aos familiares de como se abordar cada caso.

Despertares Confusionais

Os despertares confusionais atingem mais as crianças pequenas e se manifestam através de movimentos de se debater, choro inconsolável e suor em excesso.

Clínica de CPAP

O CPAP é um aparelho portátil que serve para evitar que as vias respiratórias se fechem durante o sono, impedindo que ocorra ronco e apnéia do sono.

Ele funciona como compressor silencioso que forma um coxim pneumático fazendo com que as vias aéreas superiores fiquem “infladas” durante o sono, permitindo a respiração adequada.

O aparelho usa o próprio ar ambiente e o transfere para a máscara do paciente através de uma longa mangueira flexível, permitindo liberdade de se movimentar normalmente durante o sono.

É ligado em tomada comum e não oferece qualquer risco na eventualidade de falta de energia elétrica, situação em que o paciente dorme como em uma noite quando ainda não usava o aparelho.

A clínica de CPAP é um local onde um profissional da área de saúde orienta e acompanha o paciente que usa o CPAP.

Em uma clínica de CPAP, de uma forma geral, orienta-se como usar e fazer a manutenção do aparelho, corrigem-se erros no uso do mesmo e dos seus acessórios, em especial da máscara, que apresenta vários modelos, permitindo ao paciente escolher a melhor para si.

A principal diferença de quem usa o CPAP e freqüenta uma clínica é a aderência ao tratamento. Em geral esses pacientes se adaptam melhor e mais rapidamente ao aparelho e o resultado se vê na prática, através do tempo em que o paciente dorme com o CPAP.

Eles usam o aparelho por um período mais longo de sono e como quanto maior o tempo de uso do CPAP durante o sono, menores são os eventos de apneia do sono, melhor para a saúde do indivíduo.

O paciente quando apresenta queixa de ronco, apneia do sono, sonolência excessiva diurna, cansaço excessivo, ao passar em consulta, o médico solicita, se julgar necessário, um exame do sono chamado polissonografia.

Constatada a necessidade de se usar o CPAP, o paciente volta a fazer outro exame do sono, agora para se medir a pressão ideal a ser ajustada no aparelho. Por fim, com a prescrição médica, regula-se o aparelho na clínica de CPAP.

Nas consultas de acompanhamento pergunta-se sobre os possíveis incômodos em seu uso, em geral, sensação de garganta seca, desconforto com a máscara, sensação de claustrofobia, procurando-se resolver os problemas.

No momento em que o paciente pára de roncar, deixa de ter apneias no sono e volta a dormir bem, eleva-se muito a aceitação do aparelho.

Quando bem indicado, o CPAP não só impede o ronco como também as apneias.

Bruxismos do Sono

Caracteriza-se pelo ranger dos dentes (deslizamento ou apertamento) enquanto se dorme. De causa ainda obscura, costuma ser exacerbado pelo estresse, ansiedade e eventualmente problemas neurológicos. Durante os episódios, a força realizada sobre a musculatura e os dentes é excessiva podendo causar: dor facial, desconforto muscular principalmente ao morder, dor de cabeça, desgaste dos dentes e danos à gengiva. Sintoma comum é o desgaste do esmalte dos dentes, por isso é na maioria das vezes diagnosticado pelo dentista.

A polissonografia feita com o registro da contração da musculatura da face e filmada com câmera específica confirma o diagnóstico do bruxismo do sono.

A Importância de se dormir bem

Dormimos em média um terço da nossa vida. Iniciamos a vida dormindo dezesseis horas e na sociedade ocidental, no indivíduo adulto, a quantidade de sono nas vinte e quatro horas diárias varia em média de sete a oito horas.

O Sono apresenta várias funções:

Restaurativa: trazer o organismo de volta à condição em que se iniciou o dia após a jornada de obrigações que se tem no decorrer dele. É como se a reserva de substâncias químicas que regulam o funcionamento do organismo fosse reabastecida durante o sono.
Termorregulação: o controle da temperatura corporal está intimamente relacionado ao sono, marcadamente notamos as alterações que ocorrem no sono quando se está com febre, por exemplo. Hoje se sabe que a privação do sono reduz a capacidade de se regular a temperatura corporal.
Consolidação da memória e aprendizado: toda informação que recebemos no decorrer do dia, seja estudando, trabalhando ou na vida social, é consolidada no decorrer do sono. Sabe-se que quem atravessa a noite estudando para fazer uma prova, por exemplo, terá no dia seguinte grande chance de não se lembrar bem do que estudou e ao tentar resgatar esse estudo dias após, a chance de não se lembrar ainda será maior. Isso se deve ao fato de a memória não ter sido consolidada adequadamente com uma boa noite de sono.
Repouso para o organismo: durante o sono normal ocorre redução da pressão arterial, diminuição dos batimentos cardíacos, relaxamento muscular, redução da produção de urina, ou seja, os vários sistemas descansam durante o sono. Além disso, alguns hormônios são fortemente influenciados pelo sono, são eles: insulina que controla as taxas de glicose no sangue, leptina e grelina, que juntos controlam o apetite, hormônios da tireóide, corticóides produzidos pelo organismo, hormônio do crescimento, prolactina, que controla a produção de leite, dentre muitos outros, explicando porque quem não dorme bem tem mais tendência a engordar, aumentar as taxas de gordura e açúcares no sangue, não crescer adequadamente, não conseguir amamentar bem, ter pressão arterial mais alta, ter maior risco de doenças cardíacas e vasculares, destacando-se acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio, impotência sexual, dentre outros problemas.

Uma vez que são tantas e tão importantes as funções do sono, fica fácil entender a existência de várias doenças relacionadas ao sono: ronco e apneia do sono, insônia, bruxismo do sono, narcolepsia, parassonias (sonambulismo, terror noturno, falar dormindo, etc), movimentos periódicos dos membros durante o sono, síndrome das pernas inquietas, dentre muitas outras.

Dessa forma, dormir bem é muito importante para se manter a saúde, e jamais se deve encarar o sono como perda de tempo como muitas pessoas fazem. Se você tem problemas com seu sono, não perca tempo, procure seu médico.

Movimentos Periódicos das Pernas

Movimentos periódicos das pernas (MPP) e síndrome das pernas inquietas (SPI) - os movimentos mais freqüentes relacionados com o sono são os movimentos bruscos do corpo, as mioclonias (abalos musculares), MPP (movimento periódico das pernas) e SPI (síndrome das pernas inquietas) que acontecem geralmente no início do sono. 
Quem tem SPI relata um irresistível movimento de membros inferiores acompanhado de sensações de "arrastamento" das pernas. Estes movimentos podem fazer o paciente se acordar, diminuindo o sono, levando à insônia, distúrbios do humor, cansaço mental e problemas conjugais.

Muitos pacientes que relatam a SPI, também apresentam movimentos repetidos dos membros inferiores durante o sono, que correspondem aos Movimentos Periódicos das Pernas (MPP), o que é mais comum na idade avançada. Cerca de 11% dos pacientes acometidos por MPP se queixam de insônia, 17% de hipersonolência e 11% são indivíduos com alterações psíquicas (cansaço mental, estresse, irritabilidade, depressão, etc). Queixas de MPP são mais freqüentes em pacientes com anemia, artrite reumática, insuficiência renal, bem como em indivíduos com predisposição familiar para esta síndrome. A polissonografia com filmagem registra os movimentos anormais durante o sono.

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